Eu quis muito ir nesse jogo, passei uma semana tentando conseguir um ingresso. Ontem, quando já havia desistido, quando já estava sentada em um bar com dois grandes amigos esperando ver o jogo pela TV, recebi uma ligação salvadora! Do outro lado da linha meu amigo dizia: "Rê vamos no jogo? To com um ingresso pra ti, na mão".
Ahhhh!!!! Surtei!!! Enlouqueci! Tomei uma cerveja com os amigos, deixei-os no bar com o coração apertado e caminhei rumo ao Gigante da Beira-Rio.
Consegui um lugar nas cadeiras, em frente ao campo. Nervosismo, e empolgação pela peleia que iria acontecer.
Banda da Brigada Militar a postos para o hino, times perfilados para entrarem em campo e a falta de atitude desportiva do oponente já começava a aparecer. Juventude não entra em campo para as execuções dos hinos e quando entra, saúda somente a sua pequena torcida. Salto alto a parte, vamos ao que importa.
Nos 90 minutos de jogo toda a lógica some, não há técnica, não existem saldos anteriores. Tudo que esta em campo, em jogo, é a emoção.
Iniciamos em desvantagem, não somente o saldo de 1 gol, mas a desvantagem histórica do embate Inter x Juventude. A temida touca verde que nos fez amargar diversas derrotas, entre elas o titulo gaúcho de 1998 em casa, diante de um estádio lotado.
Não poderia acontecer denovo... dessa vez a historia teria que se encarregar de nos oferecer outro final. E que final!!!!
Meu amado colorado entrou em campo de branco, e branco desde a previsão da vidente [que reza a lenda fez a seguinte profecia: Eu vejo um homem alto de cabelos longos, todo de branco, erguendo um troféu numa terra distante, diante de uma multidão. - Traduzindo: Fernandão levantando a taça de campeão do mundo no Japão], para mim é sinônimo de sorte.
E o que se viu daquele time alvo rubro foi um olé, um show de futebol, de garra e de amor à camisa. O jogo que iniciou bem parelho com os dois times se enfrentado em igualdade em campo [e que contou com uma forcinha do juiz ao Juventude no primeiro tempo] teria um final inacreditável.
1, 2, 3, 4 gols no primeiro tempo, alivio, emoção, torcida já gritando: É campeão, é campeão!! E o titulo cada vez mais próximo do Internacional. Intervalo e o time volta para o campo. Sem conformismo, sem estar satisfeito com os quatro gols já marcados e que de longe já nos sagrariam campeões gaúchos de 2008, ainda com mais garra, com mais futebol no pé o Colorado avança!
5, eu já estava sem fôlego para gritar e completamente incrédula da situação.
6 eu ria sozinha... olhava para o relógio e via que dava tempo de mais, mais gols.
7, eu abraçava metade dos torcedores que gritavam "é campeão, é campeão", desde o primeiro tempo de jogo.
Jogada errada, nervosismo pelo vexame e truculência da parte do Juventude resultaram em um pênalti.
Aos 44 minutos do segundo tempo, Marcão chama Clemer para chutar.
Gol!!! O oitavo!! 8 gols, 8!!!!
Torcida delirando, gritando , cantando, torcedores correndo pelo campo, se abraçando. Final de jogo.
Cidade em festa, meu coração alagado de amor pelo meu time, estufado de orgulho por uma vitória histórica, por um placar inesquecível.
As ruas da cidade vermelhas e brancas, cheias de rostos emocionados e muitos gritos que estavam entalados na garganta após tantas derrotas para o Juventude.
Chorei, abracei pessoas, brindei a vitória, com todos que encontrei pelo caminho nessa noite mágica e agradeci aos céus. Deus, Obrigada por eu ser Colorada!! Fazer parte da historia desse clube de raça torna minha vida mais especial e me faz feliz muito mais feliz.
E quarta-feira, lotaremos o Beira-Rio novamente!!! Confiantes na força do nosso time.
PS: Agradecimentos especiais: Ijuí e Leo - amigos que me acompanharam no bar :)
Godoy -o salvador que me conseguiu o ingresso
Gustavo - minha melhor companhia , sempre .
Por: Renata Pimentel